O mapa astral de Erika Hilton
Corajosa, apresentou a PEC do fim da escala 6 x 1
De adolescente abusada em situação de rua e da prostituição a uma das figuras mais ativas e respeitadas do cenário político nacional. Mulher trans, negra, periférica, ela se formou e não aceitou o papel que a sociedade queria que ela representasse.
Erika Hilton nasceu na periferia de Franco da Rocha, município de São Paulo, em 9 de dezembro de 1992, às 10h30. É uma das deputadas mais atuantes do cenário político brasileiro, mas também é modelo e ativista pelos direitos humanos. Desde 2023, tem um relacionamento com o fotógrafo Daniel Zezza, homem trans.Sagitariana, com Júpiter, regente do seu signo em trigono com a Lua e com o ascendente, o que lhe confere convicções e valores muito definidos, que ela defende com veemência.

São famosas suas batalhas verbais com políticos conservadores. Tem facilidade de se comunicar, é combativa, seu discurso é inflamado e corajoso, sem medo de colocar o dedo na ferida, o que é plenamente compatível com a condição astrológica da Lua em Gêmeos e de Mercúrio em Escorpião no seu mapa, que está em conjunção com Plutão, regente deste signo, na casa 10, casa da vocação, do trabalho e da projeção social.
Começo difícil
Mas as coisas não foram fáceis, o que já estava indicado por Saturno na cúspide do ascendente do mapa astral dela. Aos 14 anos, foi morar em Itu, onde foi criada pela mãe, tias e avós. Sofreu violência por sua expressão de gênero na adolescência e foi forçada a frequentar a igreja, em busca da "cura divina". Aos quinze anos, expulsa de casa, em situação de rua, recorreu à prostituição para sobreviver. Depois de seis anos, foi resgatada por sua mãe e retomou os estudos.
Formação e carreira política
Concluiu o ensino médio pelo programa para Educação de Jovens e Adultos, ingressou na Universidade Federal de São Carlos e iniciou, mas não concluiu, o curso de gerontologia. Depois, se formou em pedagogia, o que combina com o posicionamento de Júpiter na casa 9 do mapa. Foi durante o período de graduação que ingressou no movimento estudantil, dando o pontapé inicial para a carreira política.
Tinha 23 anos quando se envolveu numa disputa com uma empresa de ônibus, que se recusou a imprimir seu nome social feminino na passagem. Na ocasião, a legislação em São Paulo que garante direitos de identidade às pessoas trans não se aplicava a empresas privadas. Suas petições online defendendo o direito de pessoas trans escolherem seus próprios nomes alcançaram grande engajamento e ela acabou obtendo êxito.
O caso repercutiu e Erika ganhou reputação como defensora dos direitos de pessoas trans e começou a receber convites para palestras em universidades. Logo foi convidada a se filiar ao PSOL e em 2016 se candidatou a vereadora pelo município de Itu, mas não conseguiu se eleger.
Idealista e combativa
Ela não desistiu, já que idealismo e persistência são um atributos do ascendente Aquário e de Saturno em sextil com o Sol, como podemos ver em seu mapa astral. Em 2018, foi convidada para integrar a Bancada Ativista, grupo de nove pessoas que se candidatou coletivamente a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. A Bancada foi eleita com 149 844 votos para um mandato compartilhado, algo inédito na ALESP. Erika foi nomeada assessora, embora atuasse quase como parlamentar.
Pioneirismo, originalidade e espírito de luta são também seus atributos, como indicado pelo ascendente Aquário e por Marte em trigono com Mercúrio e Plutão. Em 2020, obteve notoriedade no Brasil e exterior ao tornar-se a primeira vereadora transgênero eleita pela cidade de São Paulo e a parlamentar municipal mais votada do país. Durante o mandato, ela abordou questões de gênero e desigualdade e foi responsável pela criação da CPI da Transfobia, o que lhe rendeu grande visibilidade e o Generation Change Award, dado pela MTV Europe.
Ela não tá mesmo pra brincadeira. O regente tradicional do seu ascendente é angular, exatamente na cúspide da casa 1, o que está em sintonia com a seriedade com que ela encara o trabalho. Recentemente, na eleição de 2026, ficou em segundo lugar entre os candidatos mais votados em São Paulo, sendo eleita como deputada federal com mais de um milhão e meio de votos.

Polêmicas e ameaças
Em 2019, quaando integrava a Bancada Ativista, o deputado estadual Douglas Garcia (PSL) disse em uma sessão no plenário que iria "tirar no tapa" a transexual que usasse o mesmo banheiro feminino de sua mãe ou sua irmã. O deputado foi punido com uma advertência verbal pelo Conselho de Ética da ALESP.
Em janeiro de 2021, foi perseguida por um homem dentro da Câmara Municipal de São Paulo, que portava uma bandeira e usava máscara com símbolos religiosos. Ele se apresentou como "garçom reaça" e disse ser uma das pessoas que estavam sendo processadas pela vereadora.
Durante a CPI dos Atos Golpistas, em 2023, os senadores Soraya Thronicke e Rogério Carvalho denunciaram um suposto comentário transfóbico por parte do deputado Abilio Brunini (PL), que teria falado que a deputada Hilton estaria "oferecendo os seus serviços".
Erika já protocolou ação contra cinquenta pessoas suspeitas de fazer ameaças transfóbicas e racistas contra ela na internet.
Desde 2024, emprega dois maquiadores profissionais em seu gabinete, que divulgam seu trabalho como profissionais da maquiagem nas redes sociais, mas que, segundo Erika, executam também funções de assessores no apoio à parlamentar.

A briga com Ratinho do SBT
Em março de 2026, Erika foi eleita para presidir a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados. No discurso de posse, lembrou que é a primeira mulher trans a presidir a comissão. No dia seguinte, o apresentador Ratinho criticou a eleição de Erika em seu programa:
"Tem tanta muié, porque vai dar para uma trans? Ela não é mulher, ela é trans...Mulher, para ser mulher, tem que ter útero, tem que menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias"
Erika acionou o Ministério Público Federal, solicitou investigação pelo crime de transfobia e pediu a abertura de uma ação civil pública com indenização de 10 milhões de reais por danos coletivos à população trans e travesti, a serem revertidos para o Fundo de Defesa dos Direitos Difusos, isto é, ela não receberia nada diretamente.
Também pediu direito de resposta em horário nobre, com duração equivalente ao da fala discriminatória.Por sua vez, o apresentador decidiu processar a deputada por injúria, calúnia e difamação. Segundo a defesa de Ratinho, Erika teria ofendido a sua honra ao dizer que ele era "somente um rato" ao fazer uma publicação em resposta ao ataque perpetrado em seu programa.
A Justiça de São Paulo determinou que o SBT exibisse um vídeo de direito de resposta de Erika Hilton no Programa do Ratinho, no mesmo horário e com o mesmo destaque das falas do apresentador, sob pena de multa diária de 50 mil reais em caso de descumprimento. O juiz destacou que a sentença não busca impor a Ratinho a mesma visão de mundo de Erika. "O que se reprime, entretanto, não é a divergência, mas o modo como foi externada em plena rede nacional. Ofensa não é opinião, é ato ilícito".
Projetos
Em sua atuação parlamentar, tem apresentado vários projetos, entre eles se destacam o da redução da escala 6 x 1 para 4 x 3, além de outros 2 que que foram aprovados e ganharam status de lei:
- PEC 8/2025 - Fim da escala 6x1- propõe reduzir a jornada de trabalho para quatro dias por semana
- Lei nº 14.821/2024 – Prevê trabalho digno e cidadania para pessoas em situação de rua
- Lei nº 15.124/2025 – Garante proteção contra discriminação na concessão de bolsas de pesquisa
- PL 380/2023 - Propõe diretrizes para que as cidades fiquem preparadas para eventos climáticos extremos.
- PL 3564/2024 -Propõe endurecer as punições para incêndios criminosos em áreas florestais e rurais.
- PL 2123/2023- combate ao trabalho análogo à escravidão, propõe medidas para enfrentar esse tipo de exploração e responsabilizar envolvidos.

Reconhecimento
-Foi considerada Personalidade Destaque de 2021 pela Revista IstoÉ.
-No Uruguai recebeu a honraria “Visita Ilustre no Teatro Solis”, concedida pela Prefeitura de Montevidéu.
-Foi destaque de uma edição do "Next Generation Leaders", ranking elaborado pela tradicional revista estadunidense Time.
-Recebeu o título de “Pessoa Influente de Descendência Africana", apoiado pela ONU, que reconhece as pessoas negras mais influentes do mundo.
-Foi a primeira travesti a ser entrevistada pelo Roda Viva, tradicional programa de entrevistas da TV Cultura.
-Recebeu o Prêmio Claudia Wonder pelo seu ativismo de gênero.
-Foi eleita uma das "100 mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo em 2022" pela British Broadcasting Company (BBC).
-Em 2023, no Prêmio Congresso em Foco ficou em 2º lugar na categoria Melhor na câmara, em votação feita pela internet.
-Em 2024, ficou em 3º lugar na categoria Melhores na Câmara.
- Em 2025, recebeu 223 545 votos, ficando em 2º lugar na categoria Melhor na Câmara.
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