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É possível prever a morte?

Uma questão ética na astrologia

Ao astrólogo cabe interpretar honestamente o que os astros mostram, mas a morte está além da possibilidade de compreensão, está na categoria do incognoscível, do transcendente, por isso, o astrólogo não deve fazer essa previsão.

É possível prever a morte?

Uma questão ética na astrologia

Quando o assunto é astrologia, é comum a controvérsia entre os que acreditam e os que não acreditam, entre os que a consideram uma ciência e os que a consideram uma crendice, entre os que a consideram uma arte divinatória e os que a consideram uma prática de charlatães.  

A diversidade de opiniões é natural, mas é recomendável que a astrologia seja analisada a partir de um ponto equidistante dos extremos, para que se possa conhecer suas possibilidades e entender suas limitações.   

Em primeiro lugar, a astrologia é uma ferramenta útil que pode e deve ser usada para o autoconhecimento, mas não se enquadra como ciência, já que não pode ser reproduzida em laboratório e não se presta a pesquisas quantitativas que permitam a comprovação definitiva de seus paradigmas.

Em segundo lugar, é bom que se tenha em mente que os planetas não são deuses no Olimpo, responsáveis por nosso destino aqui na Terra. A astrologia não se baseia em causa e efeito, mas sim em um múltiplo e infinito jogo de reflexos, como bem definiu o astrólogo Otávio Azevedo.

Posto isso, é bom que se acrescente que as chamadas “previsões” devem ser feitas com parcimônia, já que não há um futuro definido que possa ser revelado pelos astros. O que a astrologia pode fazer é identificar tendências e ritmos, elencando assim possibilidades para o período em questão.   

Por isso, quem exerce essa atividade deve ser responsável e ter a humildade de admitir que nem todas as perguntas podem ou devem ser respondidas. Por exemplo, Quando consultam um oráculo, algumas pessoas querem saber quanto tempo vão viver, melhor dizendo, quando vão morrer.

Ao astrólogo cabe interpretar honestamente o que os astros mostram, mas acredito que a morte está além da possibilidade de compreensão, está na categoria do incognoscível, do transcendente, por isso, o astrólogo não deve tentar fazer essa previsão, mesmo quando solicitada pelo cliente.

É uma questão ética. Não é por acaso que as associações de classe vetam tal possibilidade, como consta na seção de Deveres Fundamentais do Código de Ética da Associação Brasileira de Astrologia:

1. nunca indicar épocas taxativas de morte, mas sim períodos perigosos para a saúde ou para a vida...

Nada impede, no entanto, que o astrólogo tente prever a própria morte, como fez a lendária Evangeline Adams, mas reitero que não vejo benefícios para o cliente, ou as desvantagens seriam maiores que que os possíveis benefícios.

Mesmo que se argumente que ele poderia aproveitar melhor a vida a partir de então, acredito que cabe ao astrólogo tentar fazer com que o cliente se motive a fazer isso por outros motivos. Além disso, não se pode afirmar categoricamente que as previsões sejam exatas.

Para ilustrar a questão de forma bem-humorada, reproduzo uma história contada pelo astrólogo Miguel Etcheparre em uma de suas interessantes postagens:

Vendo seu rei triste e preocupado, o ministro pergunta:

- O que tira vossa tranquilidade, senhor?

- O astrólogo real previu que morrerei em breve, e eu tinha tantos planos...

- Ele deve estar enganado.

- Não, eu confio nele.

- Meu senhor, peço que o chame para que eu lhe faça uma pergunta.

Quando o astrólogo se apresentou, o ministro o questionou:

-Afirmas que nosso rei morrerá em breve, então pergunto se já previstes a data de tua própria morte.

-Sim, terei uma vida longa, verei o céu ainda por muitos anos.

Foram suas últimas palavras. O ministro o degolou com um golpe certeiro de espada, voltou-se para o rei disse:

- Majestade, às vezes, os desígnios dos astros não se cumprem.



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