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Uma Imperatriz admirável, machismo e um novo mapa para o Brasil

A Independência vista por outro ângulo

Nossa homenagem a uma mulher fabulosa, mas isolada e mal-amada, que teve a coragem de tomar a decisão que mudaria o rumo do país para sempre. Devemos a ela a Independência do país da forma como aconteceu.

Todo mundo conhece o episódio que ficou conhecido como Grito do Ipiranga: D. Pedro vinha montado em seu garboso garanhão (na verdade, era uma mula) quando recebeu uma mensagem às margens de um riacho e deu o famoso grito de Independência ou Morte, no dia 7 de setembro de 1822. O que talvez poucos saibam é que a mensagem que D. Pedro recebeu era de sua mulher, a Imperatriz Leopoldina, informando que já havia assinado a Declaração de Independência no Rio de Janeiro no dia 2 de setembro. Sim, D. Pedro acrescentou um ato simbólico, que não deixa de ter importância, mas devemos a Independência do país da forma como aconteceu a uma mulher.

Neste texto, queremos homenagear essa mulher fabulosa, mas isolada e mal-amada, que teve a coragem de tomar a decisão que mudaria o rumo do país para sempre. Vamos também comentar alguns pontos da configuração astrológica do possível mapa montado para o horário da assinatura e dos 2 mapas do dia 7 de setembro, o que pode nos ajudar a compreender melhor a índole do nosso povo.

D Leopoldina foi uma Imperatriz muito culta, uma mulher inteligente, leitora voraz, que falava várias línguas e tinha vários interesses, como música, mineralogia, botânica, zoologia, etc. Ela recebeu educação esmerada, era de família aristocrata austríaca e filha do homem que derrotou Napoleão. Ela se casou por procuração e conveniência política, o que era normal na época, e só conheceu D Pedro I aqui no Brasil. Em vez de trazer apenas criados, costureiras e estilistas, ela trouxe cientistas, médicos, etc.  

Ela viveu no Brasil por 9 anos, período de isolamento e angústia, já que não foi aceita na sociedade local por ser muito refinada. Além disso, era tratada por D Pedro I apenas como a “mulher da casa”, o que significa que era aquela que servia para procriar, para gerar o herdeiro do trono, enquanto as outras, as mulheres da rua, que eram muitas, eram para o prazer. Tanto que D Pedro se gabava de ter cumprido seu papel: “9 anos fui casado, 9 filhos tive” Na verdade, Leopoldina teve sete filhos e perdeu 2.

D Leopoldina atuava como chefe de estado durante uma viagem do Imperador quando ficou sabendo do ultimato de Portugal. Então, ela convocou o Conselho de Estado do Rio de Janeiro e, aconselhada por José Bonifácio, assinou o Decreto da Independência do Brasil. Era o dia 2 de setembro de 1822. Segundo a astróloga Hanna Optiz, que pesquisou dados históricos, a assinatura da Proclamação da Independência se deu por volta de 10h50, o que resulta num mapa com ascendente em Sagitário.

Tal ascendente é compatível com a alegria do brasileiro e encontra respaldo na história do país, com a presença de muitos estrangeiros na formação política e social do Brasil, com as grandes colônias de italianos, japoneses e alemães, além da grande influência dos escravizados africanos. Além disso, o forte catolicismo e o sincretismo religioso são também indicações associadas ao simbolismo sagitariano.  

No mapa da assinatura da Independência, a Lua fica em Peixes, na casa V, compatível com a decantada hospitalidade brasileira, também com seu hedonismo, com o carnaval, etc.  Ocorre que Vênus fica em quadratura com Saturno, o que aponta para uma disposição mais contida, que se não é oposta, pelo menos está em contraste com a indicação da Lua. Há outros aspectos que também não parecem evidenciar a índole do país, por exemplo, a casa 10 em Leão, com o Sol em conjunção com Mercúrio. Apesar de o brasileiro ser comunicativo, o país não é exatamente um exemplo de soberania. Já Capricórnio na casa 2 com Netuno na cúspide é um posicionamento ambíguo. Não se pode dizer que o país é pobre de recursos, o que contraria a indicação, mas Netuno na cúspide aponta para os desmandos e malversação dos bens nacionais, o que é confirmado pela história.

A maioria dos astrólogos trabalha com o mapa formado a partir do famoso episódio do grito Independência ou Morte, dado por D. Pedro I no dia 7 de setembro de 1822. Como não se tem certeza do horário, há dois ascendentes possíveis, Aquário ou Peixes, ambos com a Lua em Gêmeos em conjunção com Júpiter.

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Não vamos aqui fazer uma leitura completa do mapa da assinatura da Independência, com ascendente em Sagitário, em comparação aos dois outros possíveis mapas montados para o advento do Grito do Ipiranga, no dia 7 de setembro, mesmo porque não se trata de escolher um para anular os outros. O mais indicado é estudar o novo mapa como se faz no caso de uma empresa cujo contrato é assinado num certo dia e a inauguração ocorre em outro. São mapas complementares, não excludentes.

Além disso, com exceção da Lua, em todos os 3 mapas, os planetas permanecem nos mesmos signos e quase toda a configuração dos aspectos se mantém, com pequenas variações. Um dos posicionamentos mais fortes, que talvez seja pouco comentado, é a recepção mútua entre Marte em Escorpião e Plutão em Áries. Escorpião é regido por Plutão na astrologia moderna, enquanto Áries é regido por Marte, ou seja, um está na casa do outro, o que aponta para uma das características menos elogiáveis do povo brasileiro: a violência. Sim, o país tem um histórico de violência, embora isso não corresponda à imagem que o brasileiro passa e faz de si mesmo. Talvez o fato de Marte e Plutão fazerem contato com Netuno ajude a explicar a aparente contradição, já que Netuno distorce a percepção da manifestação incisiva desses dois planetas.

Mas não há como negar que o Estado sempre reagiu de forma contundente contra as revoltas populares, como ocorreu no caso da Cabanagem, da Balaiada e da mais famosa delas, a Guerra de Canudos, na qual foram mortas cerca de 25 mil pessoas.  Além disso, a participação do país na Guerra do Paraguai, que provocou a morte de mais de 300 mil paraguaios, inclusive civis e crianças, não deveria ser exatamente motivo de orgulho. E o que dizer das 44 mil pessoas assassinadas em 2020, entre elas, cerca de 2 mil mulheres, em crimes de feminicídio? Para se ter uma ideia do que isso representa, basta lembrar que os Estados Unidos perderam cerca de 58 mil soldados no Vietnã, num período de mais de 10 anos, numa guerra que deixou cicatrizes indeléveis na sociedade americana. Na média, uma pessoa é assassinada a cada 12 minutos no Brasil, um número assustador e um dos maiores do mundo, mas que, curiosamente, não parece comover as pessoas em geral e as autoridades em especial.

Nossa intenção não foi fazer uma interpretação aprofundada de um novo possível mapa, mas apenas levantar alguns pontos da configuração astrológica e da história do país, o que pode nos ajudar a compreender melhor a índole do nosso povo. Afinal, não podemos esquecer que uma mulher fabulosa, mas isolada e mal-amada, assinou a Declaração de Independência, decisão que teve grande influência nos rumos que a nossa nação tomaria a partir de então. 

Triste e humilhada, a Imperatriz vivia deprimida, mas seu papel na história do Brasil foi relevante. Antes de assinar a Independência, ela foi a responsável pela criação da bandeira nacional e ajudou a convencer D. Pedro I a resistir à pressão para voltar a Portugal e dizer a famosa frase: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”, no que ficou conhecido como Dia do Fico. 

Embora tivesse o consolo de ser respeitada e admirada pelo povo, D Leopoldina sofria seguidas humilhações. O Imperador teve muitos casos fortuitos, muitos mesmo, mas um deles foi duradouro e se tornou conhecido. A mulher se chamava Domitila de Castro, que se tornaria Marquesa de Santos, frequentava o Palácio Imperial e era levada como primeira-dama nas viagens de D Pedro I.

O comportamento do Imperador em relação à esposa foi condenável não apenas pelo fato de ele ter tido muitas amantes. Além dos maus tratos psicológicos e emocionais que impunha à mulher, ele a teria agredido fisicamente em uma oportunidade, o que, segundo alguns, teria provocado a perda do filho que Leopoldina esperava e, posteriormente, sua morte aos 29 anos. Para outros, a causa da morte teria sido septicemia. Seja como for, Leopoldina teve um triste destino, que poderia ter sido diferente, não fosse o machismo da sociedade em geral e do seu marido em especial.



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